Segue abaixo o link da entrevista. Parte do dentista Venâncio Oliveira.
http://www.youtube.com/watch?v=HJY__KDY2Qg
Segue abaixo o link da entrevista. Parte do dentista Venâncio Oliveira.
http://www.youtube.com/watch?v=HJY__KDY2Qg
Os autores abordados neste trabalho são profissionais com conhecimentos na área e também na prática cotidiana no campo da odontologia, com algumas produções publicadas em revistas eletrônicas que veiculam matérias acerca da odontologia e seus campos de atuação.
O trabalho de Guimarães apresenta uma avaliação da dualidade saúde-doença a partir de uma pesquisa efetuada numa comunidade rural de Itaúna, no Estado de Minas Gerais, com uma população estimada em 76.862 habitantes, sendo que destes, 5.092 são moradores do meio rural no ano de 2002. Segundo Guimarães (2002, linha 03) a saúde e doença estão vinculadas à alimentação e utilização de serviços médicos. O autor trabalha a questão da saúde-doença bucal a partir da realidade de 29 mães entrevistadas e percebem que o discurso das mesmas em muito se associa ás normas odontológicas de higiene e dieta. O autor (2002, linha 05) diz: “A cárie dentária é vista como inevitável, mas a perda dentaria não”. E mesmo sendo detentoras de considerável nível de informação necessária o cuidado adequado da saúde bucal, uma rede de fatores outros não favorecem a promoção da saúde bucal. E a intima relação de saúde e força, o que por sua vez tem sua fundação no processo alimentar, ou seja, uma pessoa bem alimentada possui saúde e por sua vez força, o individuo forte adoece menos e trabalha com maior rendimento as doenças bucais então são o estandarte evidente de uma pessoa fraca e mal alimentada. Na citada comunidade o uso da força no trabalho é recorrente, pois se trata de uma comunidade rural, no cotidiano as entrevistadas revelam dificuldade de obtenção de uma alimentação adequada para manter o corpo forte e saudável.
Em seu trabalho, PETTIANATO (2007, linha 01) parte da idéia de envelhecimento como um transcurso natural da vida que não precisa ser traumático e sofrido além do inevitável. Discorre: (2007, linha 05) “É natural sofrer alterações de funcionamento biológico ao passo que se envelhece, tais como: Alterações na cavidade bucal, no paladar, na visão, na audição, na capacidade de locomoção, na comunicação etc.” Mas que é preciso prevenir para envelhecer com saúde destacando que com relação à saúde bucal não é diferente e que o nível de sucesso na prevenção depende de como foi todo o processo de transformação ocorrida ao longo dos anos de vida. Com base em estudos feitos acerca da saúde bucal do idoso brasileiro, o autor argumenta:
“O idoso no Brasil apresenta um nível precário de saúde bucal com grande ocorrência de falta de dentes (edentulismo), com forte presença de doenças gengivais, cáries, desgastes dentais e outros problemas que acarretam dificuldades inclusive de falar, mastigar, respirar e, sobretudo de sorrir, o que acarreta uma péssima qualidade de vida e compromete o processo de envelhecimento.”
Marcos Túlio Pettianato Pereira, 2007, linha 47)
Finalizando que exames preventivos feitos com regular periodicidade e correta higienização podem minimizar muitas dessas doenças que atacam a saúde bucal, e de modo surpreendente a do idoso do Brasil.
No trabalho de Colombo, o foco da abordagem é a questão da informação sobre os cuidados necessários de higiene bucal e da parcialidade de todos os parcimoniosos investimentos empreendidos no setor sobre tudo no tocante ao SUS (sistema único de saúde), defendendo uma maior valorização da divulgação das informações que fundamentam os cuidados com a higiene bucal e o fortalecimento dos programas já existentes, com o implementar de novos e mais eficazes para garantir o acesso aos serviços de saúde odontológicos para todos quantos dele precisar, assim o trabalho orienta, que Saúde bucal está implícita na saúde integral e a luta pela sua melhoria está fundamentalmente, ligada à luta pela melhoria dos determinantes sociais, políticos e econômicos.
No trabalho de Pelúcio, o objeto da pesquisa é também a saúde bucal onde o estudo se pauta numa entrevista etnográfica com 31 participantes moradores de baixa renda da comunidade do Dendê em Fortaleza. Nesse trabalho é fortemente acentuado a ação dos obstáculos socioeconômicos ao acesso aos tratamentos que garantem a saúde bucal. Pelúcio (2007,linha 06) diz:
“A dor é vivenciada, em função de dentes doentes e recorre-se a tratamentos alternativos de curandeirismo popular, enquanto o acesso ao dentista é percebido como um luxo e não como um direito do cidadão. A falta de acesso ao tratamento adequado e de qualidade somada à imensa dificuldade de acessar, mesmo o tratamento precário de restauração de má qualidade.”
(Thiago Pelúcio Moreira,2007,linha 06)
Fiando-se em mapas do Fundo das Nações Unidas para a Infância, (UNICEF), que mapeou a saúde na região nordeste do Brasil o trabalho evidencia a dura e triste realidade desta região que ainda apresenta índices de desigualdade social e de saúde precária acima de todas as demais do país e onde a saúde bucal mostra se de igual modo em expressiva situação de precariedade. O autor (2007, linha 25) trabalha a questão de que o sorriso refere-se mais que a uma questão de saúde bucal revela uma historia de vida depondo sobre condições alimentares, escolaridade agente reforçador de estigmas, reflexo da vida familiar etc. A condição de vida precária e o difícil acesso ao atendimento de qualidade são vivencias que deixam sua marca, sua tatuagem da pobreza impressa na dentição da população, já estigmatizada por sua condição social e desmoralizada no seu mundo local. Expressões: como dente de pobre e dente de rico, evidenciam a dificuldade do acesso ao tratamento adequado como garantia de uma satisfatória saúde bucal.
Todos estes trabalhos aqui abordados possuem características que os fazem similares e complementares, dizem respeito á odontologia no Brasil e seus avanços tecnológicos em desacordo com a gritante necessidade do povo que por inúmeras razões ainda não tem acesso aos benefícios tecnológicos da odontologia. trazer as posições de estudiosos que atuam profissionalmente no campo odontológico, como percebedores das realidades, explícitas e implícitas na relação do profissional da odontologia e o seu publico atendido. Não exigindo conhecimento prévio acerca do assunto os trabalhos se mostram acessível a qualquer tipo de leitor podendo enriquecer a leitura do universo odontológico e suas dinâmicas na sociedade. A metodologia apresentada nos trabalhos focou sempre na estatística a partir de argumentação numérica de entrevistas feitas em guetos de comunidades específicas que representavam o perfil dos indivíduos excluídos do acesso aos benefícios de uma adequada saúde bucal.
Embora as obras representem a visão de indivíduos do meio interno da odontologia, o que poderia cadenciar a obra num sentido de valoração das ciências odontológicas, em nenhum momento isso se verifica, mesmo sendo de autores formados em centros de formação distintos e geograficamente distantes, os trabalhos possuem grande coerência, todos reconhecem os avanços tecnológicos e técnico-metodológicos aos quais, o setor odontológico vem conquistando e reconhecem as disparidades entre os benefícios que podem ser oferecidos por estas conquistas e os reais resultados verificados no cotidiano das comunidades mais pobres e carentes do país. Os trabalhos possibilitam a percepção assustadora de uma dessemelhança entre pobres e ricos no Brasil, onde o sorriso é a identidade sócio-cultural flagrante que divide a população entre os possuidores de recursos que os permitem acessarem os benefícios odontológicos e ter uma satisfatória saúde bucal, e os desprovidos de recursos, os pobres e carentes em sua grande e notória maioria, têm o sorriso estigmatizado e estão excluídos de acessarem os mesmos benefícios. Desse modo o sorriso se configura como instrumento de identificação que permite uma leitura da realidade em que o individuo está inserido, possibilitando leituras de muitas facetas se sua vida.
Estes trabalhos mostram se adequados a qualquer tipo de leitor do grande público e estudantes iniciantes no campo das ciências odontológicas que se interesse em perceber a ação da odontologia nos campos da vida do ser humano suas possibilidades e limitações de sobremaneira ler o quadro desigual inserida na pluralidade cultural que formata ainda o Brasil do século XXI.
REFERÊNCIAS
GUIMARÃES DE ABREU, Mauro Henrique Nogueira: Representações sociais de saúde bucal entre mães no meio rural de Itaúna (MG), 2002, Ciênc. saúde coletiva vol.10 no.1 Rio de Janeiro /Mar. 2005. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?lng=en>. Acesso em:18 de Nov. 2009 ás 14:12
PETTIANATO PEREIRA, Marcos Túlio: Envelhecimento, saúde bucal e qualidade de vida na terceira idade. Disponível em:<HTTP://bn.uol.com.br/event.ng/informações sobre saúde>. Acesso em: 18 de Nov. 2009 ás 14:54
COLOMBO PAULETO, Adriana Regina: Saúde bucal: uma revisão crítica sobre programações educativas para escolares, Ciênc. saúde coletiva vol.9 no.1 Rio de Janeiro 2004. Disponível em:< lng="en">. Acesso em: 18 de Nov. 2009, ás 15:25
PELÚCIO MOREIRA, Thiago: Associação entre as narrativas em saúde bucal e condições socioeconômico-culturais: a dentição como reflexo da desigualdade social, natal 2007. Tese (pós-graduação)-Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Disponível em:< script="sci_home&lng=" nrm="ISO">. Acesso em: 18 de Nov. 2009, ás 16:10
